
Rua Augusta
Subitamente começou a chover a cântaros e o padre Gregório, imerso nos seus pensamentos celestiais, sentiu na calva cabeça, os grossos pingos salpicados de frias pedrinhas de granizo, que caíam furiosamente do céu. Voltou o rosto para o alto, de cenho franzido e olhar severo, como quem repreende o Senhor por tamanha falta de oportunidade, no envio daquele gelado e húmido fenómeno meteorológico. Apressou o passo, não em demasia, pois a chuva alagava a bonita calçada da Rua Augusta, cujas pedras, lisas e polidas, se tinham transformado, subitamente, num autêntico ringue de patinagem artística. Todo o cuidado era pouco para não ser traído pelas solas puídas, e tantas vezes substituídas, dos seus sapatos cuidadosamente feitos à mão, em cabedal preto, arte em desuso há muitas décadas. Continuar a ler →