
Nó de trevo
“Com apenas três folhinhas, se destrói uma complexa estrutura biológica”. Sussurrou enquanto o seu cérebro processava a informação. “Se forem três folhas, três… trevo. Não. Estrutura com três folhas… nós tridimensionais. Nós… pode ser. Nó com oito letras… não, um nó não destrói. Uma folha. Faca. Não dá.” André tentava concentrar-se na charada mas não conseguia. O tagarelar incessante da mulher e do pai ecoava na sua cabeça como trompas desafinadas. “Uma estrutura que pode ser destruída por três folhas… Três. O número três. Trindade… é isso! Não, não, não!…”. Suspirou enquanto o seu olhar trespassava os vidros sujos da janela do escritório, como se procurasse a resposta na vasta vinha que avistava. Concentrou-se nos vidros e estremeceu. Mentalmente sentiu com os dedos, as manchas de pó deixadas pela chuva e tomou consciência que não chovia há mais de um mês. Aquelas manchas não podiam estar ali. Era impossível, pois vira Margarida limpá-los ontem. “Símbolo do útero… está quase perfeito”, pensou. “Quando se irá o velho embora? Ainda dou cabo dele…”, suspirou e colocou a folha com o problema, dentro das páginas de um livro. Tinha sempre muito cuidado para não deixar os seus problemas à vista. Levantou-se da secretária e foi esparramar-se no sofá. Fechou os olhos. “Este problema vai ganhar. Está bem estruturado, o tema é apelativo…”. Ouviu o eco duma gargalhada que parecia vir do seu cérebro. “Todos pensam que sabem tudo de ocultismo, mas não sabem nada”, deixou-se sorrir perante este pensamento. “Mas o velho não se cala?…”, sussurou penosamente.
- André… prá mesa, vamos almoçar! – Chamou-o Margarida da cozinha.
André levantou-se lentamente. Olhou outra vez para a janela. Estranhas aquelas manchas… tinha que falar delas à mulher.
- Já vou!… – Respondeu André.
Fechou a porta do escritório e dirigiu-se à cozinha. O pai já estava sentado à mesa. Calou-se e imobilizou-se quando o viu entrar. “Raio do velho… agora que pode falar é que se cala…”. Margarida também já se tinha sentado. André abriu a sua lata de atum e comeu diretamente de lá. Já não havia pratos lavados. Tinha que falar nisso a Margarida, mas agora não. Ela estava exausta; encostara-se à parede e adormecera. “Está cada vez mais magra…” – pensou André com pena. – “Já quase se vêm os ossos do rosto.” Reparou que, no lugar dos olhos, Margarida exibia agora duas cavidades negras. “Estranho…” – arrepiou-se – “Talvez esteja cega. Ah… os vidros da janela. Agora já faz sentido…”

Nossa Luisa! Eu sinceramente não entendi nada.
Manoel, é só uma pequenina história… é muita maluquice mesmo…
Abração!
Orgulhosamente programei uma ‘chamada’ para este ótimo artigo no novo site dos Blogueiros do Brasil. O post será publicado dia 11/10 às 14:00 hs .
Abraços cordiais.
Amigo, muito obrigada!
Grande abraço.
Luisa querida,
Que texto é esse?!
Já li e reli várias vezes…
Vamos combinar: Uma obra ímpar.
Vou pedir ajuda ao Saramago. rsrsrs
Beijo e bom feriado.
Ai Beth…
Todos nós temos os nossos momentos menos iluminados (quero dizer negros mesmo)… este foi um deles!….
Beijinhos e obrigada por leres!
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Luísa, faz tempo que não venho aqui e quanto venho leio, releio e continuo não entendendo. Tem um guia ou é só a cabeça de um adolescente perturbado?
Beijinhos
Fábio é uma tentativa, pelos comentários, frustrada, de descrever uma situação de demência, assim uma espécie de esquizofrénico e psicopata… ou seja, ele matou a mulher e o pai, porque o incomodavam no seu delicado trabalho de resolver charadas, mas continuou a “conviver” com eles… mortos, claro. Prometo não voltar a escrever mais nada no género!
Beijinhos!
Não faça isso! Tem que escrever sim, seja qual gênero for!
Acho que o problema foi comigo, só isso!
Beijão! :*