
Luz sem Iluminação
Toda a gente acorda um dia, nem que seja um diazinho só, com uma ideia brilhante, grandiosa. Algo tão certo e edificante, tão real e concreto que muda tudo na vida de quem acorda assim. Seja a certeza da velocidade do tempo ou da sua paragem brusca; seja uma fé especial no número 33 ou num milagre divino; um súbito amor fraternal pela humanidade; a certeza absoluta num merecimento qualquer; uma nova filosofia de vida; um plano diabólico para conseguir a promoção; a certeza, leve e vaporosa, num mundo melhor. Toda a gente acorda um dia, com o peito a abarrotar de qualquer coisa vibrante e apaixonada, quiçá apaixonante, que a faz mudar de rumo. Continuar a ler
Queridos leitores, se não sabem ficam a saber: para mim, todos os dias são dias de festejar. Na minha célula familiar – credo… esta metáfora faz-me lembrar uma ameba. Fiquem os meus queridos informados que eu tenho consciência que o bicho é unicelular e cá em casa somos cinco. Posto no devido lugar os meus (des)conhecimentos científicos, vamos para a frente. Como estava dizendo, na célula familiar, que é a base da sociedade – esta coisa da “base”, engrandece qualquer frase –, comemoramos os aniversários propriamente ditos (dia em que cada um nasceu), os aniversários de casamento, de divórcio (eu e o meu marido éramos divorciados quando demos o nó), o dia em que começamos a namorar, o dia do primeiro beijo, o dia do primeiro amuo, o dia em que nasceu o primeiro dente a cada criança, o dia em que caiu o primeiro dente a cada criança… Resumindo – se não nunca mais daqui saio –, eu gosto tanto de comemorações, que todos os dias há festarola. 