
Nada de Nada
- Às vezes sinto que não pertenço a este mundo.
- Então… Continuar a ler

Sem Eira nem Beira
À beira da calçada
Arrasta o cansaço
Na sacola fechada Continuar a ler

Fractal
Dentro de mim há algo inominável,
Sem forma,
Sem fundo,
Sem nada.
Um negro sem fundo. Continuar a ler

Nó de trevo

Art by Vladimir Kush
Os saltos das minhas botas ecoavam na calçada, ao voltar para casa. Mas só eu os ouvia. Num passo lento e bem marcado, caminhava ligeira, no meio dos outros seres que iam e vinham. Observei-os atentamente. Estavam próximos de mim, mas soavam longínquos e fantasmagóricos. Cada um mergulhado no seu próprio mundo de lua negra. Lábios que sorriam para o nada. Sobrolhos franzidos. Rostos ansiosos. Orgulhosos. Impenetráveis. Libidinosos. Tristonhos. Alienados. Dedos ágeis que escreviam sms’s e aguardavam a resposta com urgência. Olhos baços, que refletiam lágrimas na garganta. Rostos expressivos, que cantavam canções surdas, ao ritmo privado duns phones. Continuar a ler
“Vamos lindo…” Sigo o som da voz. “Anda mor… não tropeces.” Sou prisioneiro da noite apoiado naquele corpo voluptuoso. Os meus sonhos foram castrados pelo álcool e por uma donzela da noite. Ela teceu uma rede invisível à minha volta e agora sou seu vassalo. Não me importo, porque já não pertenço a lugar nenhum. “Vamos ao Destino… diz que sim fofo!” Vagueio pelas ruas de Lisboa à procura do Destino; uma espelunca onde ainda tenho licença para entrar.
Sentado numa mesa do cabaret sinto o calor envolvente dum corpo jovem. Uma gargalhada feliz arranca-me a pensamentos sombrios. Nem sei se são sombrios, ou sequer pensamentos. Um beijo cheio de promessas enche-me de orgulho. Mais um copo. As amarguras são tragadas por uma onda acre de whisky barato. Agora sou uma criatura viva. Inebriado e dormente já não me lembro de outras vidas que imagino ter vivido. Continuar a ler