
Le Paradis - Marc Chagall
Um anjo chamado Inês
Mário bebeu um golo de whisky – iria parar de beber dentro de dias, quando fosse ao médico, pensou, então tinha que aproveitar. Continuar a ler

Le Paradis - Marc Chagall
Mário bebeu um golo de whisky – iria parar de beber dentro de dias, quando fosse ao médico, pensou, então tinha que aproveitar. Continuar a ler
“Vamos lindo…” Sigo o som da voz. “Anda mor… não tropeces.” Sou prisioneiro da noite apoiado naquele corpo voluptuoso. Os meus sonhos foram castrados pelo álcool e por uma donzela da noite. Ela teceu uma rede invisível à minha volta e agora sou seu vassalo. Não me importo, porque já não pertenço a lugar nenhum. “Vamos ao Destino… diz que sim fofo!” Vagueio pelas ruas de Lisboa à procura do Destino; uma espelunca onde ainda tenho licença para entrar.
Sentado numa mesa do cabaret sinto o calor envolvente dum corpo jovem. Uma gargalhada feliz arranca-me a pensamentos sombrios. Nem sei se são sombrios, ou sequer pensamentos. Um beijo cheio de promessas enche-me de orgulho. Mais um copo. As amarguras são tragadas por uma onda acre de whisky barato. Agora sou uma criatura viva. Inebriado e dormente já não me lembro de outras vidas que imagino ter vivido. Continuar a ler