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A Lei do Fumo

A Lei do Fumo

Era uma vez um Governo, num país longínquo, que tinha muitas Consciências para comprar. Mas não podia comprá-las todas, por causa do Orçamento de Estado, esse papão vil e terrível, que atormentava o país.

Depois de pagar aos Governantes os salários, casas, carros, reformas imorais, viagens, festins, os vestidos da mulheres, o colégio dos filhos e o cabeleireiro das amantes, o Orçamento de Estado ficava tão magrinho, tão irritado e mal disposto, que se revoltava contra o povo. Era o povo que levava com os maus fígados do Orçamento de Estado. Mas essa é outra história.

No Ano de 2008, o Orçamento de Estado desse belo país, resolveu ser mãos-largas e comprar a Consciência do Fumo. Pediu orçamentos a várias empresas da moda, fez um estudo aprofundado da questão, e concluiu que, afinal, só poderia adquirir parte da Consciência do Fumo. Optou pelo Fumo do Tabaco. Era a mais baratinha, tinha a vantagem de ser fundamentalista, e, o mais aliciante, é que iria dar muito que falar.

Ainda lhe passou pela cabeça, comprar a Consciência da Inalação dos Fumos e Poeiras das Minas. Mas, que mais valia é que isso traria para o Governo? Nenhuma. Ainda por cima, estava a ser vendia acima do preço de mercado. Também, que importância é que tem, o facto do Ti Manel Mineiro, trabalhar em turnos de oito horas, e morrer aos quarenta e cinco anos de idade, com cancro no pulmão? Trivialidades. O que interessa mesmo é salvar o Zé Empregado de Mesa e o País, do fumo do tabaco.

Depois, ponderou a hipótese, de adquirir a Consciência dos Fumos e Vapores das Gasolineiras. Nãaaaa, o Sr. Chico Gasolineiro, só tem mesmo é que trabalhar oito horas seguidas, e inspirar aqueles vapores inebriantes. É pura especulação, pensar que ele poderá morrer aos cinquenta anos de idade, com cancro no pulmão. Vamos mas é salvar, o Zé Empregado de Mesa, do fumo do tabaco, e obrigar os donos dos restaurantes, cafés, pastelarias e discotecas, a fazerem turnos de duas horas e meia, para os seus empregados.

Existiam muitos mais inaladores de fumos do alheio, mas ninguém iria incomodar o Governo com isso. O que era mesmo importante, era manter o povo ocupado com esta falsa questão. Fundamentalmente, o que era mesmo muito, mas muito importante, era mostrar ao povo, quem é que mandava naquele País!

Vitória, Vitória, acabou a história!

Todos sabemos, fumadores e não-fumadores, que fumar é um vício e faz mal à saúde. Todos sabemos, porque faz parte das regras de boa educação, que não se deve fumar em locais fechados e, também, poucos fumadores o cumprem espontaneamente.

Mas eu não gosto de normalizações totalitárias; faz-me confusão que a diferença não seja aceite; e arrepia-me, a falsa e insuportável superioridade moral, destes legisladores. Acreditem que, ao criarem este ‘apartheid’ que distingue os cidadãos pelos seus pecados, eles apenas pretendem fazer valer a sua opinião, não admitindo discussão, o que revela um fundamentalismo, não muito diferente do Islâmico. Estas atitudes, parecem-me muito perigosas e preocupantes, para quem gosta de viver em Democracia.

Bote abaixo!...

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