Dia Internacional da Língua Materna

CamõesEsta madrugada tive um sonho verde salpicado de vermelho e amarelo. Em português. A música da brisa era portuguesa e até as gotas de chuva brilhavam em português, reflectindo o tímido Sol de Inverno.

Quando acordei, rodopiei três vezes e abracei o meu companheiro; ele de manhã responde sempre na língua ácida dos carroceiros, mas que não deixa de ser português. “Bom dia, meu amor!”, disse eu feliz como um pássaro. “&;%$#@”, respondeu ele ainda a dormir. Continuar a ler

À Procura de Si

“Vamos lindo…” Sigo o som da voz. “Anda mor… não tropeces.” Sou prisioneiro da noite apoiado naquele corpo voluptuoso. Os meus sonhos foram castrados pelo álcool e por uma donzela da noite. Ela teceu uma rede invisível à minha volta e agora sou seu vassalo. Não me importo, porque já não pertenço a lugar nenhum. “Vamos ao Destino… diz que sim fofo!” Vagueio pelas ruas de Lisboa à procura do Destino; uma espelunca onde ainda tenho licença para entrar.

Sentado numa mesa do cabaret sinto o calor envolvente dum corpo jovem. Uma gargalhada feliz arranca-me a pensamentos sombrios. Nem sei se são sombrios, ou sequer pensamentos. Um beijo cheio de promessas enche-me de orgulho. Mais um copo. As amarguras são tragadas por uma onda acre de whisky barato. Agora sou uma criatura viva. Inebriado e dormente já não me lembro de outras vidas que imagino ter vivido. Continuar a ler

Luar de Janeiro

Pintura por Christophe Vacher

Continuar a ler