Como Transformei um Conto Erótico numa História de Medos, Amores e Desamores

Um destes dias acordei e resolvi escrever um conto erótico. Não sei porquê, acordei para ali virada. Então, se bem pensei, melhor o fiz. Comecei a escrever, a escrever, mas, para meu grande espanto, não me saía o erotismo das teclas para a alva página do Word. “Que raio… então o que é isto? Se sabes escrever, escreve, isso é uma coisa tão fácil… é só imaginar umas cenas envolventes e já está!”, pensei eu e lá continuei a escrever e a apagar, a escrever e a apagar, a escrever e a apagar… Continuar a ler

Os Mistérios da Velha Anta

Velha anta

A Velha Anta

“Não se pode pisar aí…”. Eu olhei para eles com aquele ar interrogativo-displicente de quem se está marimbando para o que se pode ou não, porque eu ia lá entrar mesmo assim. “Há espíritos vingadores debaixo dessa terra.” Ahhh… isso era outra coisa, assim a gente já se entendia. A minha imaginação de imediato se encarregou de pintar um quadro estranhamente belo e hediondo. Da terra forrada de musgo fofinho emergia lentamente um espírito idêntico ao do génio da lâmpada de Aladino, só que este era mau. Afastámo-nos cabisbaixos, envergonhados pela impotência de enfrentar tão vil criatura; apressamos o passo até à corrida, até porque o chamamento materno já se fazia ouvir para o almoço. Continuar a ler

Um Artigo Inacabado e um Sismo no Japão

Viajando

Eu adoro viajar pelo mundo fora. Ah, como eu gosto de conhecer novas gentes, novas terras, novos hábitos e tradições. É algo que me fascina. Devido a várias razões que não são para aqui chamadas, como é o caso dos cortes salariais, aumento dos impostos e redução das regalias sociais com a saúde, eu viajo cada vez menos. De avião, só de longe em longe; de carro vou conhecendo o país e os nossos vizinhos mais próximos; mas, onde eu me regalo quase diariamente é nos tortuosos caminhos das páginas do Atlas, nas serenas pradarias da Enciclopédia e nas tumultuosas e agressivas estradas da Internet. Onde encontrei mais informação foi na Internet, embora só uma página em cada mil se aproveite. Mas isso agora não interessa… Continuar a ler

Dois Dias de Felicidade a Dormir no Sofá

Queridos leitores, se não sabem ficam a saber: para mim, todos os dias são dias de festejar. Na minha célula familiar – credo… esta metáfora faz-me lembrar uma ameba. Fiquem os meus queridos informados que eu tenho consciência que o bicho é unicelular e cá em casa somos cinco. Posto no devido lugar os meus (des)conhecimentos científicos, vamos para a frente. Como estava dizendo, na célula familiar, que é a base da sociedade – esta coisa da “base”, engrandece qualquer frase –, comemoramos os aniversários propriamente ditos (dia em que cada um nasceu), os aniversários de casamento, de divórcio (eu e o meu marido éramos divorciados quando demos o nó), o dia em que começamos a namorar, o dia do primeiro beijo, o dia do primeiro amuo, o dia em que nasceu o primeiro dente a cada criança, o dia em que caiu o primeiro dente a cada criança… Resumindo – se não nunca mais daqui saio –, eu gosto tanto de comemorações, que todos os dias há festarola. Continuar a ler