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De volta à Sagrada Família

As mulheres e o amor

Vivemos num país lindo, livre, democrático, gerido por incompetentes e retrógrados, é certo, mas democrático, aqui as pessoas ainda podem opinar sobre o que muito bem entenderem, embora, eu sei, o demos, esteja cada vez mais longe do Kratía. Mas, mesmo assim, cada português ainda pode dar a sua opinião sobre o governo, o aborto, a feira popular, as instituições religiosas, os buracos nas ruas do bairro e as anormalidades que algumas figuras públicas mandam pela boca fora. Pela parte que me toca, consoante a telha com que acordo, posso até dizer que a igreja católica, na pessoa dos seus ilustres representantes, está cada vez mais senil.

Já tínhamos o João Morgado que, nos idos 1982, em plena Assembleia da República, a propósito duma discussão sobre a despenalização do aborto, disse ser “o ato sexual para ter filhos”, deixando um país inteiro a lamentar a sua triste sorte e a temer pela sua saúde, ah, pois, é que os órgãos que Deus deu ao Morgado, são feitos da mesma matéria, que os órgãos dados pelo pai e pela mãe dos homens comuns, e definham, definham, até adoecerem, se não forem usados corretamente e com alguma frequência. Ora experimentem lá usar o estômago uma vez por semana, ou os pulmões de dois em dois minutos.

Agora, para manter o nível de anedotas nacionais, temos o cardeal Manuel Monteiro de Castro, que é penitenciário-mor da Santa Sé, função ajustada à filosofia social que defende, a dizer que “a mulher deve ficar em casa” a cuidar da família e do marido evidentemente; vejamos, deve ser um pack do tipo, almocinho, jantarinho, pernocas sempre abertas independentemente do apetite e, já agora, o rosto muito bem maquilhado, prontinho para alguma descarga de fúria do chefe de família. Tudo bem, como referi ali em cima, a liberdade de expressão ainda é válida neste país e esse tal Manuel Monteiro de Castro, pode dizer o que lhe aprouver, e eu também. Ora senhor cardeal, deixe lá de dizer asneiras, pois as mulheres sabem muito bem cuidar delas, não precisam de opiniões decrépitas de eclesiásticos, muito menos de carcereiros, pois de cárcere e penitências percebem elas, e muito bem, desde que o mundo é mundo.

Como penitenciário-mor da Santa Sé, senhor cardeal, mantenha-se na linha e ao nível, olhe que tem muito trabalhinho pela frente, se se dedicar com afinco a encarcerar todos os seus inferiores hierárquicos, e quem sabe, de igual hierarquia, que encarceram crianças e jovens em quartos escuros, com a finalidade de darem um uso mórbido e desprezível, para além de ilegal, ao órgão, em tudo similar ao que Deus deu ao João Morgado, mas que este, por obediência ao tal Deus, só usa para fazer meninos e meninas. Deixe lá as mulheres em paz e dedique-se, com muita garra, a encarcerar os padres pedófilos pelo mundo fora, trate de meter todos os violadores e assassinos, da sua competência, ou seja, com ligações e obediência direta à Santa Sé, atrás das grades, e pode ser que Deus lhe dê um lugarzinho no céu!

2 thoughts on “De volta à Sagrada Família

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