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Sem Eira nem Beira

Sem Eira nem Beira

À beira da calçada
Arrasta o cansaço
Na sacola fechada
Cheia de nada,
Esconde tesouros
De brilhos manchados
Memórias desvanecidas
Desbotadas,
Lampejos desconexos
De eiras fartas.

Sem eira nem beira

Procura um portado desabitado
Na orla da pedra aconchegou-se
Tirou os sapatos,
Olhou para longe
Enganou o vazio.
Encheu-se de negro,
Alimentou a alma
Com um suspiro mudo
E suspendeu o tempo.

Calçou os sapatos
Alisou a barba, com dignidade
E estendeu a mão às leis da gravidade.
Arbitrariedade lúgubre, a piedade.

7 thoughts on “Sem Eira nem Beira

  1. Pingback: Ver! | Blog | Sem Eira nem Beira

  2. Lu,
    Lendo o poema, a princípio fui remetida ao andarilho que não possui lar e afeto. Mas em seguida, percebi que todos nós, em algum momento de nossas vidas, fomos um ‘sem eira nem beira’.
    Bjks

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  3. Às vezes nos desesperamos por tão pouco.
    Mantemos certos hábitos por acharmos serem eles os mantenedores de nossa dignidade.

    Piedade, ajuda e lembranças. Saio daqui pensando nessas palavras e seus verdadeiros significados.
    bjos!

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  4. Fantástico!
    Sem as Eiras e Beiras da sociedade moderna, assim como no passado.
    Sabe Luisa, agora na minha expedição lá pelas bandas do Amores, pude ver nas casas e nas ruas as imagens que tão bem descreves.
    Fui do Brasil colonial à era da globalização.
    Indicado e compartilhado.
    Parabéns e meu carinho fraterno.

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