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O almoço com o papa Francisco

Papa almoça com as bases

A única notícia de jeito que eu vi hoje nos jornais foi o badalado almoço do papa Francisco na cantina do Vaticano. Isto sim é notícia, aliás é mais do que uma notícia, é um puro e santificado elogio ao manual sintético de marketing!

Também passei os olhos por umas linhas sobre o GES, parece que ali as coisas não correm de maré e que os investidores, grandes e pequenos, já estão a ver a sua vidinha andar para trás e o seu rico dinheirinho a evaporar-se, numa bela imagem de folha outonal que ascende em círculos, direitinha aos céus.

Mas que é isso comparado com a certeza de que o papa é deste mundo, come macarrão, pede queijo extra, lambe os dedos, fez um curso de marketing e não investiu no GES? Pois, se estavam a pensar que o papa teve saudades dos seus tempos de infância e foi almoçar com a malta, desenganem-se, aquilo foi, nada mais nada menos do que a prova final do curso acelerado de marketing que o papa Francisco acabou de fazer. Verdade, verdadinha.

Ora vejam, a primeira coisa a fazer é ter atitude, a atitude é tudo meus amigos, primeiro o interessado levanta-se do trono, ou da cadeira de pele, ou onde quer que ele tenha o santo rabo sentado, depois veste uma batina informal, se não é batina que se chama, paciência, aquilo, da batina simples, é para não destoar muito dos enganados, digo povo, crentes ou isso; depois desse efeito para se integrar, sua santidade junta-se ao maralhal assim como quem não quer a coisa, como se fosse tudo muito natural e pronto, já tem uma semana de publicidade feita. Simples e indolor.

No presente caso, o do almoço surpresa do papa na cantina do Vaticano, o ancião não partiu para a longa caminhada de duzentos metros até ao dito comedouro, antes de ter incumbido um guarda, um daqueles que parecem Pierrôs mas sem a cara pintada de branco, de alertar o jornal do Vaticano e o padre responsável pela atualização da página do Facebook, para que tudo estivesse a postos quando o chefe, digo santo padre, chegasse às catacumbas do Vaticano para distribuir sorrisos e gargalhadas com o povo trabalhador. E não há beijinhos, perguntarão vocês, pois é, se calhar o papa teve vergonha de beijar homens feitos, ou talvez não, sei lá, olhem só sei que é muito salutar isso do papa dar o exemplo e não dar beijinhos a ninguém, assim sempre é um incentivo para os outros padres, aqueles que gostam de dar beijinhos por tudo e por nada, especialmente se os visados têm menos de quinze anos. Mas voltando à vaca fria, cá para mim este almoço está no capítulo VI do manual sintético de marketing.

Onde é que pensam que os nossos políticos aprenderam a dar beijinhos às velhotas e a comprar sardinhas no mercado? Ora, no caítulo VIII do manual sintético de marketing político. Olha, olha, o quê, não me diga que pensava que aquela beijoca que o Passos Coelho lhe deu na última campanha, tinha sido dada com carinho, honestidade e compaixão!

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4 thoughts on “O almoço com o papa Francisco

    • Olá Sissy! 🙂
      Amiga de hoje em dia já não há papas desagradáveis, isso ficou no tempo das fadas sem fim… eheh, há sim pessoas mais ou menos carismáticas e que sabem aproveitar oportunidades simples para grandes projetos, tanto no clero como na política, que para mim é mais ou menos a mesma coisa.
      Um grande beijinho.

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  1. Oi Lú…
    Nunca entendi bem esse tipo de atitude, porque almoçar um dia com o proletariado é até uma diversão pra quem não faz isso cotidianamente, tanto pra quem estava lá como pra celebridade em questão. Eu sinceramente, não aprovo esse tipo de coisa, que pra mim, não somente no caso do Papa , mas também no caso dos políticos, não representa absolutamente nada. Atitudes em relação ao alto posto que ocupa nessa direção fazem com que essas manifestações panfletárias sejam totalmente desnecessárias. Mas se ele resolvesse fazer isso todo dia, até poderia ser algo realmente interessante, porque, pelo menos demostraria que isso não é só uma máscara e sim que ele gosta mesmo de povo…Acho que Gandhi, que era tão cristão que chegava a ser hindu, concordaria comigo..
    abração, Lu…

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    • Olá Marcos 🙂

      Na minha ideia qualquer líder tem que se manter ligado às massas, seja qual for o meio que use, se pensarmos bem foi sempre assim. Nos tempos em que não existiam rádio, televisão ou internet, enchiam-se praças e grandes espaços de povo para os chefes poderem marcar a sua presença e autoridade com belos discursos. Hoje as coisas estão mais simples e, embora a concorrência seja renhida, vê só como um simples almoço numa cantina emociona e religa milhões de pessoas à figura do papa Francisco. Todos acham o gesto extraordinário (cristãos e não cristãos) embora se trate de simples publicidade.

      Parece que Deus não joga aos dados, mas nada impede que os papas o façam, afinal os papas são políticos e seres humanos. Nesta jogada ele fez duplo seis!

      Abs.

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