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A vidente

Arte de Krzysztof Browko

Vejo amores mutilados pelos espinhos da vida
Carícias cansadas das dores sem fim.
Palavras da Velha da várzea.

Vejo caminhos ajardinados e passos hesitantes…
Vontades perdidas a cada pegada deixada.
Palavras da Velha da várzea.

Vejo amizades, amores e paixões… perdas anunciadas,
Lembranças de momentos quase perfeitos
Montanhas quase superadas…
Medos escondidos em palácios imperfeitos.
Palavras da Velha da várzea.

Vejo homens cínicos, déspotas em nome de Deus
Jovens armadilhados em nome de Alá
Mulheres pérfidas de língua bífida enfeitando altares
Crianças em agonia sonhando com o aconchego da cova.
Palavras da Velha da várzea.

Vejo reinos de títeres pelo mundo fora
E o povo a aplaudir, a rir a cada peça falhada
Tristeza sufocada em direção ao mais absoluto nada.
Palavras da Velha da várzea.

E nada mais vejo…
Que triste visão.
Mostre-me outra vez a mão!

Ah… Vejo fragmentos de vida a cada segundo
Crianças que brotam de vaginas ensanguentadas
Sopros de vento fresco ao entardecer…
Melodioso é o choro que as acompanhará nas dores sem fim.
Palavras da Velha da várzea.

 

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