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As mulheres são complicadas?

Imagem de Cinema no Sapo

Sobre a terra existem biliões de seres vivos, milhões de espécies, mas a única que complica a relativa harmonia em que todos poderíamos coexistir é a espécie Mulher-Homem.

Estão a ver? Já estou a complicar.

Ao escrever Mulher-Homem já estou a despertar sentimentos por aí. Não por escrever Homem e Mulher da forma que escrevi, mas por essa forma sugerir que Mulher é significado de espécie. Se calhar era mais correto escrever Mulier-Homo, para seguir a tradição.

Os machos tradicionais dirão que mulheres que escrevem estas coisas se sentem inferiorizadas no meu papel de fémea e por isso têm que gritar Mulher ao lado de Homem, sendo que, esta última palavra por definição, quando escrita com uma maiúscula no seu início, significa a espécie na sua parte masculina e feminina. Outros sorrirão, com aquele jeito superior de intelectual entendido em fémeas, e pensarão que o melhor é não dar importância, pois deve tratar-se de um capricho momentâneo ou de uma quebra normal no raciocínio lógico. Acreditem, há homens que pensam isso e ainda têm a certeza que estão com a razão. Os machos oportunistas e manhosos acreditarão imediatamente que se trata de uma enorme carência afetiva e imaginarão de imediato uma abordagem conveniente, na esperança, quiçá, de passarem um bom bocado a consolar a pobre fémea. Os apaixonados não darão por nada, por isso não contam. Os aéreos talvez se perguntem se a forma correta de escrever não será Homem-Mulher.

Algumas mulheres pensarão que está muito bem, que alguém tem de se deixar de tradicionalismos e escrever o que lhe vai na alma. A grande maioria, adeptas da moral tradicional, dirá que não é preciso escrever Mulher-Homem como significado da espécie Homo, para sermos realmente boas esposas e mães. As indiferentes não dirão nada. As apaixonadas nada dirão. As que estão no meio de uma crise matrimonial, dependendo do tipo de crise, tomarão o partido do macho que dorme com elas para não levantar ondas, ou então num grito de revolta bradarão que Mulher-Homem era a palavra que faltava.

Quando olho com alguma atenção para o mundo que me rodeia vejo que tudo na nossa sociedade está virado para o conceito de Pai, logo Homem. Esta é a forma de pensar da humanidade desde que os homens tomaram para si o poder de legislar e julgar sobre todos os seres, talvez, nesses tempos idos, tenham aproveitado a embalagem para incluir as fémeas da sua espécie nesse triste rol. O facto é que todos nós, homens e mulheres aceitamos sem grandes objeções o domínio e predomínio do ideal machista na nossa sociedade. A grande maioria das vezes nem o entendemos como machista, paternalista ou dominante, pois todos nos regemos pelo mesmo velho tipo de costume padrão.

Por isso eu pergunto-me muitas vezes, será que as mulheres alguma vez tiveram nas sociedades, mesmo nas primitivas, um papel igual ao dos homens, ou seja, independentemente da sua particularidade de serem fémeas e de terem a seu cargo a conservação da espécie, se alguma vez homens e mulheres foram parceiros na gestão do poder e na concertação de ideais. Hoje, mesmo nas sociedades ditas desenvolvidas uma grande parte das mulheres submetem-se voluntariamente às tradições e moral masculinas e dizem viver felizes com a proteção paternalista que essas práticas lhes dão. Mesmo as mulheres que não se submetem às regras morais dos costumes antigos, agem no seu dia a dia, mesmo sem se darem conta, segundo essas mesmas regras.

Noutras sociedades, como as islâmicas, pouco sabemos o que as mulheres realmente pensam, pois a tradição e costumes desses países regem-se por códigos morais tais, que as mulheres não podem falar. Só ficamos a saber alguma coisa sobre elas através do conhecimento das leis desses países, ou então através de uma ou outra notícia chocante que fugiu ao controle das autoridades. Só recentemente começam a surgir escritoras que nos contam nas suas narrativas, as suas próprias experiências enquanto mulheres e contestatárias. Mas o que pensarão e sentirão os milhões de mulheres islâmicas que se submetem às tradições e moral masculinas, será que vivem tão felizes como as mulheres ocidentais com comportamento idêntico? Não sei, mas posso inferir que não, pois as mulheres ocidentais a qualquer momento poderão, se assim o desejarem, viver à margem de certos costumes paternalistas que passem a considerar absurdos, e as mulheres islâmicas não.

O que nos faz ser tão acomodadas?

O que nos faz aceitar serenamente o domínio masculino dos costumes se estamos para o mundo na mesma proporção dos homens?

O que nos faz acreditar que antigas tradições, de costumes e moral rígidos e intolerantes são boas para nós?

Se uma ou várias tradições ditadas pelo espírito paternalista dos homens de antigamente nos fazem infelizes, porque nos adaptamos a ela e não a tentamos mudar?

E os homens com consciência destes factos, fazem o quê?

 

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