Esta noite sonhei

Paraíso

Esta noite sonhei que tinha morrido.

Estava no campo e subia às laranjeiras como se tivesse seis anos. Mas não tenho seis anos e o pobre ramo, exatamente aquele onde na minha infância me empoleirava quieta e muda para não ser descoberta nas brincadeiras, exatamente esse ramo tão familiar e acolhedor, tão forte e estável, partiu-se e eu caí. Caí e morri. Depois acordei.

Mas acordei pensativa. O argumento do meu sonho era pobre, parco de imaginação e drama. Caí e morri. Foi como um filme que acabou uma hora e meia antes do fim, ou um romance escrito na primeira pessoa que acabou no primeiro parágrafo. Caí de uma árvore e morri.

Não sei se alguém me encontrou, mas que importância tem isso se morri. Se bem pensar, como poderia eu saber se morri.

Não sei se fui para algum céu ou lugar cósmico, nem poderia saber, afinal morri. Apenas me vi a cair sem sentir medo; durante a queda tive a certeza que ficaria imóvel na terra molhada e inspirei o seu aroma forte e envolvente, tal como fazia na minha meninice. Depois caí e morri.

 

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